Utopia-Reversa

Nunca pedi para ser do jeito que sou. Nunca quis que minha vida fosse assim, mas suponho que não há motivo para se queixar.

A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes…enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.

Vocês sabem, quando se passa muitas horas, muitos anos fingindo ser uma pessoa que não se é, bem, isso pode nos causar alguma coisa. Já é duro bastante tentar ser a gente mesmo. Pensem em tentar muito ser alguém que não se é. E depois ser outra pessoa que tampouco se é. E depois outra. A princípio, vocês sabem, pode ser emocionante. Mas depois de algum tempo, depois de a gente ser doze outras pessoas, talvez seja difícil lembrar quem é mesmo, especialmente se a gente teve de compor as próprias falas.

  • Não sei o que dói mais, se é olhar o meu “reflexo” no espelho e ver que nada mudou sabendo que o ser que habita dentro de mim vem morrendo a cada dia mais, ou olhar para os lados e ver que o que me mata mais a cada dia são as pessoas que supostamente deveriam me amar do jeito que eu sou.